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Vá a Penedo. E vá de moto. No mês de Abril, a vila de Penedo, RJ, é palco de um evento interessantíssimo. Anteriormente reservado a "harlistas", o Penedo Only Bikers reúne um número impensável de motociclistas e suas máquinas. Predominam as motos de média e grande cilindrada, bem ao estilo "custom". Embora dono de uma máquina bem pequena para os padrões, resolvi neste ano dar um pulo até lá para conferir. Saindo de Valinhos, SP (a 15 km de Campinas), segue-se pela Rodovia D. Pedro I até a Carvalho Pinto, depois por ela até Taubaté. Esse desvio permite evitar o trânsito perigosíssimo e pesado do trecho da Via Dutra que inclui Jacareí e S. José dos Campos. Entrando na Dutra, segue-se passando por Aparecida e Guaratinguetá, até a estrada começar a serpentear (com um traçado antigo mas, diga-se, muito bem sinalizado e recapeado...). Aqui aproveitamos para curtir a belíssima visão da Serra da Mantiqueira e dos rios que atravessam ou margeiam a rodovia. Cruzando a divisa de estados, passamos por Itatiaia e, em seguida, Penedo. A vila é um distrito de Itatiaia, em local que foi comprado da antiga fazenda local por finlandeses, imigrantes que buscavam um local onde pudessem plantar o ano todo. A influência finlandesa é percebida nas construções da rua principal, nos restaurantes e nos doces e artesanatos. Na rua principal há a Pequna Finlândia, uma galeria de lojas em construções típicas. Há até casas com grama no telhado, recurso usado nos países nórdicos para proteger do frio. |
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![]() Visão parcial da Pequena Finlândia e casa do Papai Noel |
Come-se divinamente em Penedo. Como chegamos
à noitinha e ficamos pouco tempo, no sábado só jantamos. Casa do Fritz
é tiro e queda. Servem pratos da cozinha alemã: Kassler (carré de porco
defumado) e Frankfurter Würstchen (salsicha típica) vêm acompanhados de
batatas sauté imperdíveis, cozidas na manteiga e com pedacinhos microscópicos
de bacon tostado. É sempre cheio de gente mas vale a espera. O dono traz
a conta pessoalmente para conferir se o serviço agradou. No almoço de
domingo subimos o morro e no Alto Penedo comemos no Truta Viva. É agradavelmente
escondido ao pé da mata, com tanques onde você pode brincar de pescador,
pegar sua truta vivinha e escolher como quer comê-la. Se for em dois,
não tenha dúvida: peça uma com pinhões cozidos na manteiga e ervas finas
e a outra com molho de gengibre e cogumelos: são divinas. |
![]() Restaurante Truta Viva, no Alto Penedo |
No domingo à noite, Penedo está às moscas. Mas dá pra saborear uma porção extraordinária de iscas empanadas com molho tártaro no Bella Cittá, na rua principal, um dos poucos que se mantêm abertos além da infalível Casa do Fritz. Sem conhecer o lugar, reservei por telefone um chalé na simpática Trilha Pousada, dirigida pela Rose. É tudo muito simples, mas correto. Tudo limpo e asseado, tem uma minúscula mas eficiente sauna semi-seca, uma agradável piscininha e um refeitório pequeno com um café da manhã muito bom, servido com muita amabilidade. |
![]() Pátio do refeitório e a Virago descansado |
Passarela
entre os chalés, com um jardim muito bonito e ajeitado |
| Mas o que vale mesmo é o visual. Tanto do quarto como das passarelas no meio do terreno, avista-se a mata. Não dá pra ver horizonte nenhum, é só verde, verde e verde. Simpático demais e com uma sensação muito boa de aconchego. | |
![]() Vista do chalé número 3 |
Como era um encontro de motos, pudemos experimentar uma mudança interessante. Chegamos no sábado fim de tarde, uma agitação indescritível. Tudo congestionado, comércio funcionando, gente pra todo lado e centenas, centenas de motos. Um ruído que mexe com qualquer um, imagine com quem gosta... Na Praça Finlândia, e em todos os lugares, coletes e jaquetas de couro, bandanas, botas e preto, muito preto. No domingo de manhã, enquanto visitávamos o Pico Penedinho (peça autorização pra dona da Casa do Chocolate, logo na entrada da vila), os motociclistas iam se ajeitando e indo embora, o ronco tomando conta. |
![]() Vista da vila a partir do Pico do Penedinho |
![]() Trecho do Rio das Pedras |
Quando descemos de volta, Penedo tinha se transformado: uma infinidade de famílias, para o almoço de domingo, vindas de Barra Mansa, Resende, Rio e cercanias, mudou a cara de tudo. De bota e camiseta preta, agora nos sentíamos "peixes fora d'água" em meio a todos aqueles papais e vovós. Mesmo assim valeu a pena parar no Finlandês, uma sorveteria que fica bem no meio do agito, para saboraear duas casquinhas do inimitável chocolate finlandês: sorvete de chocolate semi-amargo, com castanhas e uvas passas. Uma coisa... Partimos de volta na segunda-feira pela manhã. Saindo da pousada, paramos para nos despedir do murmúrio gostoso do Rio das Pedras, que passava em frente à pousada, e que nos fez dormir tão bem nas duas noites. Penedo tem esculturas de madeira, móveis feitos com madeira de demolição, camisetas, tapetes bordados, doces e chocolates imperdíveis e licores. Mas o bom mesmo é a sensação de estar ao pé da enorme reserva de mata do Parque Nacional de Itatiaia, que só não visitamos porque já conheciámos e o tempo desta vez não estava lá essas coisas. Indo de carro o passeio é bacana. De moto é dez vezes melhor: a viagem em si é agradável, lá o trânsito é bem lento e seguro e o ventinho da montanha no rosto não tem preço. Vá e goste. TEXTO ENVIADO PELO USUÁRIO E ETERNO VIAJANTE ANDRÉ CATANI.
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